Nesta edição do Espaço do arquiteto, falámos com atelier M2.Senos Arquitectura, acerca da Casa HVM, em Aveiro onde foi utilizado Tijolo Face à Vista Castanho Mondego.
Formámos o atelier de arquitectura M2.senos em 2007, com a missão de desenvolver estudos e projectos de arquitectura, urbanismo, reabilitação, design e investigação.
Temos como princípio “conhecer o passado para projectar o futuro”. Baseamo-nos num equilíbrio entre a imaginação/inovação e a realidade, tentando sempre encontrar as soluções mais criativas e assertivas.
Através da colaboração com uma vasta equipa disciplinar, estamos presentes em todas as fases de projecto, desde a concepção à execução, assegurando o melhor acompanhamento de todas as especialidades necessárias à otimização do projeto global. Damos especial atenção ao acompanhamento de obra num trabalho muito próximo entre o cliente e o construtor.
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A moradia situa-se numa zona residencial, próxima da Universidade de Aveiro. No sentido de a aproximar à linguagem formal da universidade, optou-se por uma volumetria discreta e compacta, revestida em tijolo face à vista, num equilíbrio visual que reforça a sua integração na envolvente.
Com um programa muito familiar, surgem espaços articulados com o exterior, garantindo os melhores quadrantes aos espaços vivenciais e conferindo-lhes uma maior privacidade através do jogo volumétricos de balanços.
A moradia desenvolve-se em dois pisos, sendo o piso térreo dedicado aos espaços mais diurnos em estrita relação com o exterior, comunicando com o verde do jardim e um pátio coberto de lazer, voltado para o tardoz do lote, que enriquece a vivência exterior ao mesmo tempo que qualifica os espaços interiores.
O segundo piso alberga espaços mais privados: os quartos e uma sala de inverno, voltada a nascente, que partilham uma varanda intimista, resultante da dinâmica da volumetria.
O tijolo face à vista é um material que nos agrada em geral, mas claro que o contexto da Universidade de Aveiro tornou a sua utilização uma quase inevitabilidade. Não só por questões de integração, mas porque os clientes são docentes da Universidade e portanto este era um material que lhes era familiar e que respondia às suas expectativas.
A composição formal da moradia baseia-se na sua competência plástica. O jogo volumétrico enriquece-se o objecto arquitectónico, criando balanços, dinâmicas espaciais, de avanços e recuos enfatizados pela presença incisiva das sombras.
Assim a dinâmica volumétrica da moradia é o elemento gerador de toda a organização espacial da habitação, provocando a relação entre as diferentes divisões interiores, mas em especial entre o interior e o exterior, contribuindo para espaços mais intimistas e mais protegidos.
De facto quando nos referíamos a inevitabilidade da sua utilização, referíamos as suas qualidades estéticas, mas também a performance do seu comportamento. Este era um é um material que os clientes conheciam, que lhes era próximo e com o qual estavam satisfeitos.
A robustez da moradia, assim como o conforto térmico, eram características fundamentais que se procuravam. Era muito importante ter um material que transmitisse confiança construtiva, com capacidade de envelhecimento, evoluindo nas suas características, sem se degradar.
Procurou-se uma cor intermédia, nem muito escura, nem muito clara, que transmitisse conforto e equilíbrio. Por outro lado, esta cor, permitia, como referido anteriormente, o envelhecimento qualitativo. Não apenas do material específico, mas também no reforço da adaptação dos restantes materiais utilizados na moradia.
São as referencias mais ou menos convencionais de toda a história da Arquitectura, e claro que muito particularmente a história da arquitectura portuguesa. A Escola do Porto, claro. Mas também a de Lisboa. E a arquitectura popular. E a arquitectura que se espalha pelo país, frequentemente anónima, de carácter modernista dos anos 50/60. Achamos este um período excecional, que evidencia o empenho de quem desenhou e de quem executou. É uma arquitectura cheia de detalhes, numa altura em que a mão de obra o permitia, preocupada com o bem estar e qualidade estética dos materiais.
Mas fugindo um pouco à história temos actualmente em Portugal imensos colegas, uns mais velhos, mas também mais novos, que fazem um trabalho com imensa qualidade, e que todos os dias são também uma inspiração.
A nível internacional aprendemos muito com a arquitectura holandesa e japonesa, como os casos dos MVRDV ou SANAA. Pensamos que tal como a arquitectura portuguesa, estas também são arquitecturas que criaram uma linguagem própria baseadas nas suas tradições.
Os últimos anos da crise têm acentuado as desigualdades sociais e inibido claramente a construção. Mesmo o aparentemente crescimento mercado de recuperação, não significa forçosamente mais trabalho de arquitectura. Por outro lado, todos os anos entram jovens arquitetos recém-formados no Mercado. Este parece não ser um cenário animador. E de facto, não o é. Mas também temos 2 prémios Pritzker. A Arquitectura Portuguesa tem uma identidade própria, prestigiada e reconhecida internacionalmente. Como no futebol, somos dos melhores do mundo. E isto tem que valer alguma coisa.
Os constragimentos económicos e a pressão do sector imobiliário traz certamente precipitações, facilitismos. Acreditamos que existirá tendência para se negligenciar a contratação de arquitetos. Estamos de novo a discutir a revogação do descreto 73/73. Mas a expectativa é que as oportunidades que surjam, sejam oportunidades do “bem”. De gente que sabe o que quer fazer e que o quer fazer bem. Num ponto de vista óptimista, ainda que o trabalho se reduza significativamente, espera-se que a sua qualidade aumente. O desafio consiste em encontrar um equilíbrio que viabilize a capacidade dos atelier de arquitectura de se manterem no mercado.